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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A hereditariedade do câncer de mama

O câncer de mama é uma neoplasia maligna mais frequente entre mulheres. Constitui o câncer que mais afeta e mata mulheres, sendo caracterizado como um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. Ele representa uma proliferação descontrolada de células mutadas que revestem os ductos ou lóbulos da mama. Um dos fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de câncer é a hereditariedade. O câncer de mama hereditário corresponde a aproximadamente 10% do total dos cânceres de mama existentes. Os dois principais genes envolvidos nessa patologia são o BRCA 1 (Breast Cancer 1) e o BRCA2, que atuam como genes supressores de tumor. As funções desses tipos de genes são promover a diferenciação e limitar a proliferação celular. Quando ocorrem mutações nesses genes a célula perde essas funções não controlando mais o seu crescimento, passando, então, a se multiplicar muito rápido e de maneira aleatória. Os indivíduos susceptíveis ao câncer de mama hereditário recebem apenas um gene que foi mutado na linhagem germinativa, os genes se forem herdados mutados em homozigose são letais. Mesmo com um dos genes mutados, para que a doença se desenvolva é necessário que ocorra uma segunda mutação no outro alelo, nesse caso já ocorrendo nas células somáticas. Grande parte das neoplasias ocorre por mutações somáticas, porém quando são herdadas elas são mutações presentes nas células germinativas. A maioria das células possuem duas cópias dos genes, e para que ocorra perda da função desse gene é necessário que as duas cópias estejam mutadas. Em mulheres que herdam uma cópia mutada do gene BRCA 1 ou do gene BRCA 2, proveniente de qualquer um dos pais, possuem em cada célula apenas uma cópia intacta do gene, sendo assim aumentada a chance, que em uma dada célula, a perda da função eventualmente ocorra. Os genes BRCA 1 e BRCA 2 codificam proteínas que têm como uma das principais funções o reparo de quebras na fita-dupla do DNA, sendo este reparo sugerido também por uma forte interação bioquímica entre esses genes e proteínas envolvidas nesse processo. Essas proteínas previnem o acúmulo de mutações e, assim, suprimem o desenvolvimento de carcinoma. O gene BRCA 1 está localizado no cromossomo 17, sendo constituído por 24 exons, dos quais 22 codificam uma proteína com 1863 aminoácidos. O gene BRCA1 possui um domínio RING finger (Really Interesting New Gene finger), definido por uma série de resíduos cisteína e histidina, esse domínio codifica a proteína finger e coordena a ligação de dois íons de zinco a essa proteína. A presença desse domínio sugere que BRCA 1 esteja envolvido na regulação transcricional, e é um indicativo de interações proteína-proteína, além da interação com o DNA. Pesquisas têm demonstrado a habilidade do BRCA 1 em regular a resposta celular aos estrogênios, pois estes podem gerar instabilidade genética e podem causar mutações. A proteína BRCA 1 inibe a transcrição de genes regulados pelo receptor de estrogênio para manter a estabilidade genômica durante períodos de rápida divisão e proliferação celular. Uma possível função da proteína BRCA 1 é a proteção do tecido mamário da instabilidade genética induzida pelo estrogênio através da diferenciação e reparo genético. Interações entre a proteína BRCA 1 e a p53 são associadas a com a ativação de um gene que transcreve a proteína p21, cuja função é bloqueio do ciclo celular para que reparos ao DNA possam ser feitos. Essa proteína atua como inibidora de enzimas quinase, ou seja, ela inibe a fosforilação de proteínas que são essenciais para a continuidade do ciclo celular, fazendo assim com que ocorra uma pausa nesse ciclo. Essa pausa pode não ocorrer se o gene BRCA 1 estiver mutado ou ausente, e as possíveis mutações no DNA não serão corrigidas podendo então se acumular, facilitando a transformação maligna da célula. Outro gene, que quando mutado, está envolvido com o câncer de mama hereditário é o BRCA 2. Localiza-se no cromossomo 13, sendo constituído por 27 exons, dos quais 26 são codificantes e assim formam uma proteína de 3418 aminoácidos. Assim como o gene BRCA 1, o gene BRCA 2 também está envolvido como reparo da quebra da dupla fita do DNA. Tem sido mostrada uma interação entre a proteína BRCA 2 e a RAD51, sugere-se que esta proteína é um domínio importante para a função do BRCA 2. Pois, a RAD51 é fundamental para a recombinação meiótica e para a reparação de quebras no DNA. O BRCA 2 regula a localização regula a localização intracelular e a habilidade de ligação ao DNA da RAD51. Mutações nos genes BRCA 1 e 2 geralmente ocorrem por mudanças na estrutura do código de leitura, o que resulta na terminação prematura dessas proteínas, também podem ocorrer deleções e inserções de um ou mais nucleotídeos desativando esses genes. Quando mutados ou ausentes, esses genes não regulam o ciclo regular, pois suas funções de promoção da diferenciação e limitação da proliferação celular ficam comprometidas. Com isso, o desenvolvimento de neoplasias torna-se maior.
E para chamar atenção para a atual realidade do câncer de mama foi criado o movimento outubro rosa, que fala sobre a importância do diagnóstico precoce dessa doença e da luta contra o câncer de mama. Várias partes do mundo já aderiram ao movimento, a ação de iluminar os monumentos de rosa serve para chamar atenção da população, e tornou o movimento visualmente compreendido. Outubro se tornou o mês da prevenção ao câncer de mama. Para mais informações sobre o Outubro Rosa clique na imagem ao lado.



Postado por: Carla Borges Santos

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